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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Um agnóstico foi à igreja. Eu precisava falar com Deus.

Acordei com uma vontade muito forte de ir a igreja falar com Deus. Eu precisava. Eu não me sentia bem nesta manhã. Levantei, coloquei uma roupa adequada e sai. Fui pela avenida São João, aquela debaixo do Minhocão. Lá embaixo, você vê muita coisa. Pois é, eu vi e pensei muita coisa. Meu corpo estava indo ao encontro de Deus, minha cabeça já estava lá.

O dia já acontecia e eu ainda não despertara da minha inquietação matinal. Eu precisava falar com Deus, mas falar o quê? Eu queria mostrar para Ele o vazio dentro de mim, as angústias diante do mundo e da vida. Aquelas de um moleque ainda besta. Era a minha "Via Crucis" particular.

Primeira estação: os ônibus estavam cheios. E eu não estava em nenhum deles. Eu andava a pé tranquilamente perturbado pelos meus pensamentos, os quais precisava comunicar a Deus urgentemente.

Segunda estação: um morador de rua estava caído ao lado da ciclofaixa, visivelmente drogado, socialmente maltratado. Eu olhei-o de cima, afinal, eu andava a pé em meu juízo "normal" acompanhado de minhas reflexões indiscutivelmente interessantes a Deus. Não parei, continuei. Eu precisava falar com Deus.

Terceira estação: o recepcionista da igreja ameaçou me entregar um informativo, porém eu desviei dele, Deus precisava escutar logo o que eu tinha que lhe contar.

Fui ao templo e Deus me mandou voltar. Disse que minha casa era templo sagrado também. E de lá, eu poderia lhe falar. Bom, já estava lá. Entrei na igreja. Me coloquei diante da capela do Santíssimo Sacramento, que é Deus. Se eu estivesse na Índia, a vaca seria um Deus, se eu estivesse Sibéria, o fogo seria Deus, no entanto eu estava ali. Deus é Deus desde que se creia que Ele é Deus. Falei com Ele abertamente. Abri meu coração. Chorei. Me calei e foi a vez d'Ele. Ele me falou. Eu escutei. Pronto, tudo certo. Eu saí de lá aliviado. Já podemos começar o dia.

Deus me acolheu. Deus está vivo em mim!

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