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quinta-feira, 17 de março de 2016

Joguei fora as coisas que não me serviam mais.

Quando me mudei para o apartamento onde moro hoje em dia, na pressa de tudo se encaixar rapidamente e a vida se estabelecer, retomando, assim o caminho da normalidade, eu fui me apoderando de coisas provisórias: louças, móveis, roupas, coisas para a casa e para a vida, enfim, coisas para mim. Vieram os dias, vieram as confusões, vieram as pessoas, veio a própria vida, e essas coisas provisorias ficaram por muito tempo e acabaram deixando de ser provisórias, ocupando espaços pela casa, limitando minha visão, virando obstáculos, cerceando meus movimentos, me fazendo desanimar e me acomodar aos poucos. Se acomodar é se limitar, é perder o brilho e a paixão por viver. Aí fica difícil, a coisa desanda e a gente não anda. Então, chega uma hora que a gente precisa jogar esses entulhos fora e deixar as coisas novas ocuparem seus lugares.

Foi o que eu fiz. Joguei no lixo aqueles potes de plásticos, que ficam amarelados com pouco tempo de uso, horríveis por sinal. Doei roupas em desuso. Coloquei muita papelada para a reciclagem. Lancei para fora todas as bobagens desnecessárias ocupantes de espaços necessários para a vida fluir melhor, acontecer de modo mais leve. O resultado foi de fato o esperado. Houve uma renovação.

A casa ficou mais bonita e confortável. Liberei mais espaço para me movimentar. Fiquei sem muitas coisas para impedir minha visão, me agarrei a novas expectativas. Eu fiquei melhor.

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